Desenvolvimento Pessoal Faça a diferença

Esse tal de propósito…

Semana passada, numa daquelas olhadas rápidas no Facebook entre uma tarefa e outra, acabei me deparando com uma publicação de um reconhecido empreendedor digital que logo me chamou a atenção. Ele disse que hoje em dia a busca pelo propósito é a nova moda.

Naquele momento – eu confesso – senti um pouquinho de raiva e incompreensão. Mas li novamente e entendi melhor. Fiquei tranquila.

É verdade mesmo que atualmente as pessoas estão muito preocupadas em encontrar o seu propósito de vida. Estamos passando por diversas transformações na nossa sociedade e o que antes era almejado – dinheiro, estabilidade, fama – hoje não é tão bem assim.

Nós vimos os nossos pais e avós vivendo dia após dia trabalhando e fazendo grandes sacrifícios porque precisavam colocar comida na mesa, ter uma família bela e estruturada e serem reconhecidos na sua profissão (que muitas vezes detestavam). E sofreram muito. Tiveram e ainda têm uma vida que não lhes pertence. Deixaram de lado seus sonhos e suas grandes paixões, afinal, isso não era coisa de gente grande.

Eu sou extremamente grata a essa geração, pois ela possibilitou que surgisse o que eu chamo da Geração do Sentido. É essa galera que percebeu que dinheiro não traz tanta felicidade como se pensava, que profissão boa mesmo é aquela que nos faz vibrar e que liberdade é muito mais importante do que estabilidade. Nós queremos algo que é muito maior do que tudo isso, algo que nós proporcione uma verdadeira realização em todos os aspectos da nossa vida. Nós queremos que nossa vida tenha sentido e sabemos que para isso, precisamos encontrar nosso propósito.

Acontece que todo movimento instituinte precisa primeiro surgir como uma ideia revolucionária, capaz de mudar aquilo que já existe – o que está instituído. Para depois ser capturada pelo nosso sistema, a fim de torná-la instituída. O que está ocorrendo neste momento é exatamente isso: a ideia de que todas as pessoas têm um propósito de vida é nada menos do que uma revolução que pretende trazer uma mudança na maneira como enxergamos as coisas. E só se tornará uma verdade no momento em que a ciência comprovar e a mídia reforçar que não estamos nesse mundo à toa. Mas até lá, vai ser moda.

Porém, não é de agora que essa nova fórmula da felicidade surgiu. Antes de nós, muitos outros filósofos e estudiosos já tinham percebido algo que na sua época era muito difícil de compreender. O psiquiatra Viktor Frankl experenciou um dos acontecimentos mais horrorosos da humanidade: o Nazismo e seus campos de concentração. Nessa linha tênue entre vida e morte, ele entendeu que a essência da vida é o seu sentido, e a partir disso criou a Logoterapia, em que Logos significa Sentido. E Sentido nada mais é, na minha compreensão, do que o que impulsiona a realização do propósito de vida.

Caso ainda esteja um pouco confuso, para entender melhor o que ocorre nessa minha cabeça maluca vou explicar da seguinte forma:

O Universo é como se fosse uma grande orquestra em que cada pessoa toca um instrumento. O propósito ou a missão de vida é basicamente a razão da nossa existência, o porquê. É aquele instrumento que precisamos aperfeiçoar a cada instante das nossas vidas. As nossas paixões, sonhos e talentos são os caminhos que podemos optar para realizar nosso propósito, as diversas formas como podemos tocar esses instrumentos. E o sentido de vida é a melodia que entra em sincronia com a orquestra no momento em que alinhamos todos os itens anteriores.

Eu não me lembro exatamente em que momento da minha vida eu me deparei com a questão de propósito, mas a primeira vez que percebi que toda essa loucura fazia sentido foi quando escutei o relato de uma paciente da minha mãe (que trabalha ajudando pessoas a encontrar sua missão de vida) dizendo que, ao ter complicações durante o parto de seu primeiro filho e ter tido uma experiência de quase morte, o que fez com que ela tivesse tirado forças de onde não sabia que tinha para sobreviver, foi recordar que ela tinha uma missão e, por isso, não podia partir, não sem cumpri-la. A minha mãe salvou essa vida – e muitas outras.

Eu vivenciei a força do propósito na pele quando decidi deixar meu emprego, não por motivos financeiros, mas porque meus sonhos e paixões eram muito maiores do que qualquer coisa. E percebo também a magnitude de tudo isso no meu dia a dia quando sinto a felicidade de quem acaba de perceber que existe uma razão na sua existência e que o mundo precisa dela. Sinto também na garra e no tesão que vejo em mim e em tantos outros jovens que sabem que podem fazer a diferença no mundo ao seguir seus sonhos e realizar seu propósito.

Mas se engana quem pensa que basta encontrar um propósito para que sua vida mude completamente. É preciso estar num constante processo de aprendizagem e aperfeiçoamento para que nosso instrumento toque as mais belas melodias!

Talvez você esteja se perguntando “mas eu só posso ter um propósito?” e eu preciso confessar que não sei. Penso que cada pessoa tem o seu motivo único e especial para viver. O que podemos modificar conforme as transformações que vivenciamos são os nossos sonhos e paixões. Isto, porém, não invalida que lá na frente eu mude de opinião e perceba que estava equivocada.

Por enquanto, eu continuo aqui me esforçando para cumprir meu propósito dia após dia.

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